Educação, Inovação e Desenvolvimento socioeconômico: reposicionar a contribuição da universidade brasileira frente aos desafios atuais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14244/198271996134

Palavras-chave:

Educação, Desenvolvimento socioeconômico, Universidade, Inovação.

Resumo

O artigo analisa as relações entre desenvolvimento socioeconômico, trabalho e educação tendo por referência a abordagem sistêmica da inovação. Compreende que o desenvolvimento socioeconômico a longo prazo está associado ao progresso tecnológico (inovação) e valoriza o papel das instituições de ensino e os processos interativos de aprendizado como apoio à geração de conhecimento nas empresas. Para tanto, foi realizado um estudo exploratório, privilegiando a abordagem qualitativa. A análise documental contemplou documentos elaborados pelos poderes executivo e legislativo, antes e depois da implementação da Lei de inovação e do Novo Marco Regulatório da Ciência, Tecnologia & Inovação, buscando identificar as diretrizes e políticas governamentais que afetam diretamente a interação entre os elementos em estudo. Também foram analisados documentos internos de órgãos colegiados das universidades e respectivas fundações de apoio, entre outros. Dessa forma, a metodologia adotada permitiu uma compreensão abrangente das complexas relações existentes entre desenvolvimento, trabalho e educação no contexto da abordagem sistêmica da inovação. Conclui demonstrando a necessidade da construção de um ambiente favorável à inovação no interior das universidades, rompendo com o tradicional modelo hierárquico fortemente associado ao controle e ao ensino tradicional, promovendo mudanças disruptivas face à demanda por novas habilidades e competências no Mundo do Trabalho.

 

 

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Maria Luiza Nogueira Rangel, Universidade Estadual de Goiás (UEG)

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás (1997), mestrado em Educação, área de concentração Políticas Públicas e Gestão da Educação pela Universidade de Brasília (2010) e é Doutoranda em Educação pela Universidade de Brasília (2019-2024). Docente de ensino superior no (Campus - Luziânia) da Universidade Estadual de Goiás - UEG, e avaliadora do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (BASis). Na gestão pública, exerceu as funções de Chefia de gabinete no Ministério da Ciência, Tecnologia & Inovação. Assessoramento na Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, chefia de gabinete e gerencias no Ministério do Esporte (Copa do Mundo 2014), superintendência na Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia do Estado Goiás e gerencia de educação ambiental na Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Estado de Goiás. As atividades de pesquisa estão voltadas para os temas: Políticas Públicas, Educação, Avaliação Institucional, Ciência, Tecnologia & Inovação, Educação Profissional, Filosofia, relações de gênero e juventude.

Remi Castioni, Universidade de Brasília (UnB)

Possui graduação (Bacharelado) em Ciências Econômicas pela Universidade de Caxias do Sul (1991) e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2002). Realizou pós-doutorado na Universitat de Barcelona, junto ao Institut de Recerca en Educació (2017/18). Atualmente é professor-pesquisador da Universidade de Brasília, classe Associado, atuando na Faculdade de Educação e membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação, na linha de pesquisa em políticas públicas e gestão da educação. É membro também do Programa de Pós-Graduação em Educação - modalidade profissional. Tem experiência na área de políticas públicas e federalismo. Atua no tema da transição entre educação e trabalho, com ênfase em qualificação profissional, certificação profissional e ensino médio e ainda nos seguintes temas: educação, políticas comparadas de educação profissional, indústria 4.0, sistema nacional de emprego, desenvolvimento regional e sistema nacional de inovação. Foi membro do Fórum Nacional de Educação - FNE e do Fórum Distrital de Educação - FDE. Foi diretor da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho - ABET. Foi Membro do Comitê Nacional de Políticas de Educação Profissional e Tecnológica - CONPEP, da SETEC/MEC. Foi membro do Conselho Diretor do Fundo PIS-PASEP. Foi diretor da Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituição Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico e diretor por dois mandados da Associação dos Docentes da Universidade de Brasilia - UnB. Foi presidente da Associação dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na Catalunha - APEC É membro do conselho editorial da Revista Com Censo da SEEDF e do corpo editorial da Editora CulturaTrix. É membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Educação Comparada - SBEC.

Referências

ABC, Academia Brasileira de Ciências. Você sabe o que é o FNDCT? E os Fundos Setoriais? 1º ed. Rio de Janeiro. Revista ABC, 12 págs. Setembro 2021.

ARBIX, G.; CONSONI, F. Inovar para transformar a Universidade brasileira. Revista RBCS Vol. 26 n° 77, págs. 205 - 225, outubro 2011.

ARBIX, G. Políticas de apoio à inovação tecnológica no Brasil: avanços recentes, limitações e propostas de ações. Brasília: Ipea, 2017.

AROCENA, R.; SUTZ, J. La universidad latinoamericana del futuro: tendencias, escenarios, alternativas. México: UDUAL, 2001.

BERNHEIM, C.T; CHAUÍ, M. S. Desafios da universidade na sociedade do Conhecimento: cinco anos depois da conferência mundial sobre educação superior. Brasília: UNESCO, 2008. 44 p.

BRASIL. Estratégia nacional de ciência, Tecnologia e inovação 2016-2022. Brasilia. MCT&I, 2016.

CASSIOLATO, J. E.; LASTRES, H. Inovação, Globalização e Novas Políticas de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico. Brasília, IBCT/MCT, 1999.

CASSIOLATO, J. E.; RAPINI, M. S.; BITTENCOURT, P. A Relação Universidade-Indústria no Sistema Nacional de Inovação Brasileiro: uma Síntese do Debate e Perspectivas Recentes. Rio de Janeiro, RedeSist - Economics Institute, 2007. (Paper).

CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo, Paz e Terra, 1999. 698 p.

CNI. Inovação, Pesquisa com líderes empresariais. São Paulo, fsbpesquisa, 2019.

CORTINHAS, L. M. O. O papel dos processos de compras públicas nos projetos de PD&I: um estudo de caso nos projetos de inovação do cdt/unb. Defesa 2019, Nf. 121. Dissertação em Propriedade Intelectual – UnB, Brasília, 2019.

DUTTA, S. et al. Global Innovation Index: What is the future of innovation - driven growth?. WIPO. 15th Edition, 2022.

ENCTI. ESTRATÉGIA NACIONAL DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO. MCTIC, Brasília, 2016.

ERBER, F. S. INOVAÇÃO COMO CONSENSO. Revista USP, [S. l.], n. 93, p. 21-32, 2012. DOI: 10.11606/issn.2316-9036.v0i93p21-32. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/44999. Acesso em: 20 ago. 2023.

EROL, S. et al. Tangible Industry 4.0: A scenario-based approach to learning for the future of production. Procedia CIRP, v. 54, p. 13-18, 2016.

ETZKOWITZ, H.; MELLO, J. “The Rise of the Triple Helix Culture: Innovation in Brazilian Economic and Social Development”. International Journal of Technology Management & Sustainable Development, v. 2, n. 3, 2004.

FARIA, A. F. Parques Tecnológicos do Brasil. MCTI/ NTG/UFV. Viçosa, 2021. 92 p.

FERNANDES, L. et al. A vingança de prometeu: ciência, tecnologia, inovação e a reconfiguração do poder internacional no século xxi. Revista Tempo do Mundo, n. 28, 44p., abr. 2022.

FREEMAN, C. Inovação e ciclos longos de desenvolvimento econômico. Ensaios FEE, Porto Alegre, 1984.

FREEMAN, C. Política de tecnologia e desempenho econômico: lições do Japão, Londres, Pinter Publishers. 1987.

GOMIDE, A.; PEREIRA A. K; MACHADO. F. Burocracia e capacidade estatal na pesquisa brasileira. Brasília: Ipea, 2018.

IEDI. Indústria e estratégia de desenvolvimento socioeconômico do Brasil. IEDI, São Paulo, 46 p. 2022.

JUNQUEIRA. A. A. Quarta Revolução Industrial e o Potencial Impacto da Indústria 4.0 sobre o Emprego. Defesa: 2020. Nf. 87. Dissertação Mestrado em Economia Social – Universidade do Minho, Braga, 2020.

KAGERMANN, H.; Wahlster, W.; Helbig, J. Recommendations for implementing the strategic initiative industrie 4.0: Final report of the industrie 4.0 working group, Frankfurt, Germany, ACATECH, 2013.

LOURENÇO, C. M. Sistemas Nacionais de Inovação e Culturas Nacionais: análise de variáveis relacionadas à inovação entre os anos de 2013 e 2021. Defesa 2022. Nf. 116. Tese Doutorado em Economia – Universidade de São Paulo, São Carlos, 2022.

LUNDVALL, B. Å. National Systems of Innovation: Towards a Theory of Innovation and Interactive Learning, Londres: Pinter Publishers. 1992.

LUNDVALL, B. Å. National systems of production, innovation and competence-building. In: Nelson and Winter Druid Summer Conference, Aalborg Congress Center, Aalborg, Denmark, June, 2001.

NAYYAR, D. A corrida pelo crescimento: países em desenvolvimento na corrida mundial. Tradução: Vera Ribeiro – 1. ed. Rio de Janeiro: Contraponto, 2013.

MATHEWS, J. A.; HU, M. C. Enhancing the role of universities in building national innovative capacity in Asia: the case of Taiwan. World Development, 2007.

MIRANDA, J. I. de R.; SIDULOVICZ, N.; MACHADO, D. M. O desafio da inovação tecnológica dentro da universidade. Revista de Desenvolvimento Econômico, Salvador, v. 2, n. 34, p. 389-406, ago. 2016. Disponível em: https://revistas.unifacs.br/index.php/rde/article/view/4316/2972. Acesso em: out. 2022.

NELSON, R. R. Sistemas Nacionais de Inovação: Um Estudo Comparativo, Oxford, Oxford Universidad, 1993.

OCDE. Oslo Manual 2018: Guidelines for Collecting, Reporting and Using Data on Innovation, 4th Edition. OECD Publishing, 2018.

OIT. Futuro do Trabalho no Brasil: Perspectivas e Diálogos Tripartites. Brasil: OIT, 2018.

PAZETO, A. E. Universidade, formação e Mundo do Trabalho: superando a visão corporative. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação. Santa Catarina, 2005.

PEREGRINO. F. et al. O marco legal da ciência, tecnologia e inovação: instrumentação de ambiente menos propenso a crises. Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados. Brasília, 2017.

SABATO, J.; BOTANA, N. “La Ciencia y la Tecnología en el Desarrollo Futuro de America Latina”. Revista de la Integración InTAL, v. 1, nº 3, 1968.

SCHUMPETER, J. A. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. São Paulo: Abril Cultural, 1998. 237 p.

SCHWAB, K. A Quarta Revolução Industrial. Fórum Econômico Mundial. 2016.

SILVA, L. F. T. J. Trabalho: um estudo exploratório em empresas Portuguesas. Defesa: 2020. Nf. 121. Dissertação (Mestrado em Recursos Humanos), Universidade do Porto, Porto 2020.

SUZIGAN, W; ALBUQUERQUE, E. M. A interação entre universidades e empresas em perspectiva histórica no Brasil. Belo Horizonte: UFMG/Cedeplar, 2008.

Downloads

Publicado

29-08-2023

Como Citar

RANGEL, M. L. N. .; CASTIONI, R. Educação, Inovação e Desenvolvimento socioeconômico: reposicionar a contribuição da universidade brasileira frente aos desafios atuais. Revista Eletrônica de Educação, [S. l.], v. 17, p. e6134047, 2023. DOI: 10.14244/198271996134. Disponível em: https://www.reveduc.ufscar.br/index.php/reveduc/article/view/6134. Acesso em: 25 fev. 2024.

Edição

Seção

Dossiê Políticas Educativas e Perspectivas Formativas Pós-Covid-19
##plugins.generic.dates.received## 2022-08-15
##plugins.generic.dates.accepted## 2023-08-21
##plugins.generic.dates.published## 2023-08-29