O discurso médico-psicológico na configuração do campo da Educação Especial

Autores

  • Kelly Cristina Brandão da Silva Universidade Metodista de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.14244/198271991198

Resumo

DOI: http://dx.doi.org/10.14244/198271991198

Neste trabalho, discute-se a aliança de compromisso entre a Medicina e a Psicologia na configuração da Educação Especial no Brasil. Importante evidenciar que a Psicologia, ao sair do campo da Filosofia e almejar o status de ciência, incorpora o corpus epistemológico da Medicina, principalmente no que se refere aos conceitos de adaptação e desenvolvimento oriundos da Biologia. Dessa forma, o funcionamento dito psicológico é muitas vezes reduzido à maturação, o que implica diretamente uma concepção predeterminada acerca da aprendizagem, por exemplo. Analisar alguns matizes históricos, os quais evidenciam a confluência entre Medicina e Psicologia, objetiva problematizar por que, ainda hoje, em tempos de educação inclusiva, são preferencialmente médicos e psicólogos que são chamados à escola em nome de um saber especialista. O campo social e político, no qual a escola está imersa, fica imune às críticas perante a hegemonia do discurso médico-psicológico. Destaca-se que o atendimento escolar do diferente, nos seus primórdios, ocorria em classes anexas a hospitais e asilos, geralmente de caráter filantrópico, o que denota, na origem, a influência do campo médico, responsável por tais instituições. Pautando-se nos procedimentos da Medicina, a Educação Especial incorpora a visão clínica através dos processos de reabilitação e legitima a deficiência como uma questão individual, em consequência de fatores orgânicos. Conclui-se que o saber médico-psicológico foi determinante na definição do atendimento escolar especializado, em instituições exclusivas, daquelas crianças consideradas inadequadas ao ensino regular.

Palavras-chave: Educação especial, Medicina, Psicologia.

Abstract

The present study addresses the commitment alliance between Medicine and Psychology in the configuration of Special Education in Brazil. It is important to highlight that Psychology, upon leaving the field of Philosophy and aspiring the status of a science, incorporates the epistemological corpus of Medicine, mainly with regard to the concepts of adaptation and development that were originally from Biology. Thus the so-called psychological functioning is often reduced to maturation, which directly implies a pre-defined conception of learning, for example. Analyzing some historical nuances, which clearly show the confluence between Medicine and Psychology, it is questioned why, to this date, in a time of inclusive education, physicians and psychologists are preferably consulted by schools as specialists. The social and political field, within which the school exists, becomes immune to criticisms before the hegemony of the medical/psychological discourse. A highlight is that the way the school deals with what is considered different, in its early days, occurred in classrooms that were close to hospitals and orphanages, generally of philanthropic nature, which indicate in the origin of the influence of the medical field in charge of those institutions. Based on medical procedures, Special Education incorporates the clinical view through the processes of rehabilitation and legitimately turns disability into an individual issue, as a result of organic factors. I conclude that the medical/psychological expertise was crucial in determining the service provided by special schools, in exclusive institutions, to children deemed to be inadequate to students of the regular education system.

Keywords: Special education, Medicine, Psychology.

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Biografia do Autor

Kelly Cristina Brandão da Silva, Universidade Metodista de São Paulo

Psicanalista; doutora em Educação pelo Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação, na linha de pesquisa Educação Especial, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo - FEUSP (2014); especialista pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo - IPUSP, com o curso "Tratamento e Escolarização de Crianças com Distúrbios Globais do Desenvolvimento" (2004); graduada em Psicologia pela Universidade Metodista de São Paulo (1995). Atua como docente no curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), lecionando disciplinas relacionadas à Psicologia do Desenvolvimento, Psicologia da Personalidade e Teorias e Técnicas Psicanalíticas, além de supervisionar estágios, orientar trabalhos de conclusão de curso (TCC) e participar da elaboração de avaliações modulares integradas. É membro do Laboratório de Estudos e Pesquisas Psicanalíticas e Educacionais sobre a Infância (LEPSI), vinculado à Faculdade de Educação e ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; à Universidade Federal de Minas Gerais e à Universidade Federal de Ouro Preto (IP/FE-USP-UFMG-UFOP), cuja finalidade é desenvolver atividades de ensino, investigação e extensão em torno de temáticas relativas à educação, a partir de uma reflexão interdisciplinar que tem a psicanálise como eixo.

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Publicado

25-05-2016

Como Citar

SILVA, K. C. B. da. O discurso médico-psicológico na configuração do campo da Educação Especial. Revista Eletrônica de Educação, [S. l.], v. 10, n. 1, p. 69–87, 2016. DOI: 10.14244/198271991198. Disponível em: https://www.reveduc.ufscar.br/index.php/reveduc/article/view/1198. Acesso em: 15 jun. 2024.

Edição

Seção

Artigos
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##plugins.generic.dates.accepted## 2015-06-10
##plugins.generic.dates.published## 2016-05-25