Notas sobre o Conceito de Formação “Bildung” em Goethe e Rousseau (Notes on the Concept of Formation “Bildung” in Goethe and Rousseau)

Siumara da Silveira Melo Quintella, Luiz Antonio Calmon Nabuco Lastória

Resumo


Abstract
The broad Enlightenment movement was characterized by the defense of the emancipatory power of science and reason. Goethe and Rousseau positioned themselves within this movement in different ways in the context of the European eighteenth century. Considering the persistence of resonances of this movement in the contemporary, especially in the educational practices, this article aims to point out the influence of Goethe and Rousseau on the theoretical construct of Bildung. Thus, it was necessary to adopt an approach permeated by history and literature encompassing the autobiographical writings of both, to elucidate some possible approximations between them. So, we take as a basis fragments taken from the following Goethe works: The Years of Learning of Wilhelm Meister (1795), Memories: Poetry and Truth (1811), and the Trip to Italy (1786); works in which the concept of formation is the guiding thread of narratives. As for Rousseau’s writings, we consider as reference some fragments of the educational treatise Emile, or Education (1762), Discourse on Sciences and Arts (1750), the novel Julia or New Heloise (1760) and Confessions (1781). We will evidence the philosophical thinking of Kant’s to Goethe’s, for he spoke with the philosopher Königsberg’s ideas about the formulation of his literary aesthetic, and above all with the notions of practical morality and aesthetic experience, notions under which its formation concept is based. By way of conclusion, we will expose the common telos to the philosophical thoughts of Goethe and Rousseau, due to the specificities of promoting the right of formation to all men, without distinction.

Resumo
O amplo movimento iluminista caracterizou-se pela defesa do poder emancipador da ciência e razão. Goethe e Rousseau posicionaram-se no interior desse movimento de modos diferentes no contexto do século XVIII europeu. Tendo em vista a persistência das ressonâncias deste movimento no contemporâneo, sobretudo no âmbito das práticas educacionais, este artigo objetiva apontar a influência de Goethe e Rousseau no construto teórico da Bildung. Assim, fez-se necessária a adoção de uma abordagem permeada pela história e literatura abarcando os escritos autobiográfcos de ambos, para elucidarmos algumas aproximações possíveis entre esses pensadores. Nessa direção, tomamos por base fragmentos retirados das seguintes obras de Goethe: Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister (1795), Memórias: Poesia e Verdade (1811), e a Viagem à Itália (1786); obras nas quais o conceito de formação é o fio condutor das narrativas. Quanto aos escritos de Rousseau, consideramos como referência alguns fragmentos do tratado educativo Emílio, ou da Educação (1762), do Discurso sobre as Ciências e as Artes (1750), do romance Julia ou Nova Heloisa (1760) e das Confissões (1781). Nesse itinerário, evidenciamos o pensamento filosófico de Kant para Goethe, pois este dialogou com as ideias do filósofo de Königsberg quanto à formulação de sua estética literária, e, sobretudo, com as noções de moralidade prática e experiência estética, noções sob as quais se fundamenta seu conceito de formação. A guisa da conclusão, exporemos o telos comum aos pensamentos filosóficos de Goethe e Rousseau considerando devidas especificidades: o de
promover o direito à formação a todos os homens indistintamente.

Keywords: Formation, Education, Illuminism.
Palavras-chave: Formação, Educação, Iluminismo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.14244/198271992786

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